O Ômega-3 é uma gordura poliinsaturada considerada essencial — o organismo não consegue produzi-la, por isso ela precisa vir da dieta ou da suplementação. Seus principais tipos são o DHA e o EPA: o DHA é o mais abundante no tecido cerebral, enquanto o EPA exerce papel central nos processos inflamatórios do restante do corpo.
Vale um dado que poucas pessoas conhecem: 60% do nosso cérebro é composto de gordura, e parte significativa dessa gordura é DHA. Na infância, a suplementação pode contribuir para o desenvolvimento cognitivo. Na vida adulta, estudos recentes — incluindo uma metanálise de 2025 publicada em parceria com centros de pesquisa em neurologia — mostram que níveis adequados de DHA estão associados à redução do risco de declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, especialmente quando a suplementação começa antes do aparecimento dos sintomas.
No campo da saúde mental, a evidência mais atual aponta o ômega-3 — especialmente o EPA em doses elevadas — como um adjuvante eficaz no tratamento da depressão, potencializando o efeito dos antidepressivos. A literatura de 2023-2024 não sustenta mais a comparação direta com a fluoxetina isolada, mas o papel do ômega-3 como complemento ao tratamento farmacológico está bem estabelecido.
Na saúde cardiovascular — responsável por cerca de 30% de todos os óbitos no mundo —, o ômega-3 tem uma das evidências mais sólidas da medicina nutricional. Uma revisão sistemática com mais de 40 ensaios clínicos randomizados confirmou que doses entre 1.000 e 2.000 mg diários de EPA + DHA reduzem significativamente o risco de infarto e eventos coronarianos. A redução dos triglicerídeos, um dos mecanismos desse efeito, é bem documentada: suplementação contínua por 4 a 12 semanas pode reduzir os níveis em 20 a 30%.
Parte desse benefício cardiovascular vem do equilíbrio com o ômega-6. Enquanto o ômega-3 tem ação anti-inflamatória, o ômega-6 é essencialmente pró-inflamatório. A relação ideal entre os dois seria de aproximadamente 1:4. O problema: com os padrões alimentares atuais — industrializados, ricos em óleos vegetais refinados —, essa relação chega a 1:15 ou até 1:25 na população geral. O resultado é um estado inflamatório crônico que favorece doenças cardiovasculares, metabólicas e articulares.
Por falar em articulações: estudos mostram que pacientes com artrose e maiores níveis de ômega-3 apresentam menos dor e maior capacidade funcional — e uma revisão comparou seu efeito analgésico ao do ibuprofeno em dores articulares, com a vantagem de não oferecer os riscos gastrointestinais do anti-inflamatório.
Referências:
- Omega-3 and Alzheimer’s — emerging insights (PMC 2025)
- Marine Omega-3 and Metabolic Syndrome — Meta-Analysis (PMC 2025)
- Omega-3 and cardiovascular outcomes — systematic review
- Omega-3 monotherapy for depression — RCT 2024
Sobre o autor:
Dr. Rodrigo Avelini é médico, graduado pela Universidade Federal da Bahia e com especialização em Nutrologia pela Universidade de São Paulo (USP). Possui também pós graduação em Nutrição Esportiva e Obesidade (USP) | CRM-SP 231.131
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