Semaglutida, tirzepatida e retatrutida: entenda as diferenças entre as canetas emagrecedoras
Ozempic, Wegovy, Mounjaro. Esses nomes dominaram as conversas sobre emagrecimento nos últimos anos — e com razão. Mas por trás dos nomes comerciais existem moléculas diferentes, com mecanismos diferentes e resultados diferentes. Entender essas diferenças é o que permite escolher o tratamento certo para cada perfil — não o mais famoso, não o mais barato, o mais adequado.
Semaglutida: o ponto de partida da nova era
A semaglutida foi a primeira dessa geração a chegar ao mercado e ainda é a mais prescrita no mundo. Age como agonista do receptor GLP-1 — um hormônio intestinal que o corpo produz naturalmente após as refeições e que sinaliza saciedade para o cérebro, reduz o esvaziamento gástrico e regula a produção de insulina.
No Brasil, a semaglutida está disponível em três apresentações:
- Ozempic — caneta injetável semanal, aprovada para diabetes tipo 2, com doses de 0,5 mg e 1 mg
- Wegovy — mesma molécula, doses maiores (até 2,4 mg), aprovada especificamente para obesidade
- Rybelsus — comprimido oral diário, mesma molécula, opção para quem evita injeções
A perda de peso média nos estudos de fase 3 do Wegovy foi de 12% a 15% do peso corporal em 68 semanas. Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais — náusea, diarreia e constipação — mais frequentes no início e nas elevações de dose.
Tirzepatida: o salto com duplo mecanismo
A tirzepatida (Mounjaro) representa o próximo passo. Ela age em dois receptores simultaneamente: GLP-1 e GIP — o peptídeo insulinotrópico dependente de glicose, outro hormônio intestinal que potencializa a resposta à insulina e tem efeito direto sobre o metabolismo da gordura.
Esse duplo mecanismo explica por que a tirzepatida supera a semaglutida nos estudos comparativos. No SURMOUNT-1, o estudo de fase 3 para obesidade, a perda média foi de 15% a 22,5% do peso corporal em 72 semanas — dependendo da dose. O estudo direto head-to-head entre as duas moléculas confirmou a superioridade da tirzepatida.
Outro dado relevante: a tirzepatida preserva melhor a massa muscular durante o emagrecimento. Enquanto a semaglutida pode ter até 40% da perda total composta por massa magra, a tirzepatida fica em torno de 24% — uma diferença clínica importante para a manutenção do resultado a longo prazo.
O perfil de efeitos colaterais é semelhante ao da semaglutida, com a mesma predominância de sintomas gastrointestinais.
Retatrutida: o agonista triplo que redefine o teto do emagrecimento farmacológico
A retatrutida é a molécula mais promissora da categoria — e ainda não está disponível para prescrição. Desenvolvida pela Eli Lilly, ela age em três receptores: GLP-1, GIP e glucagon. O receptor de glucagon adiciona um mecanismo importante: estimula diretamente a queima de gordura no fígado e eleva o gasto energético em repouso.
Os resultados dos estudos são inéditos para um medicamento oral ou injetável:
- Fase 2: perda média de 24,2% do peso corporal em 48 semanas com a dose de 12 mg
- Fase 3 (TRIUMPH-1, divulgado em maio de 2026): pacientes com obesidade perderam em média 28,7% do peso corporal em 68 semanas — equivalente a mais de 30 kg em muitos casos
Para ter dimensão: antes dessa geração de medicamentos, os tratamentos farmacológicos para obesidade raramente ultrapassavam 5% a 8% de perda. A retatrutida pode chegar a quase 30%.
O cronograma regulatório prevê submissão ao FDA no quarto trimestre de 2026, com decisão esperada em 2027. No Brasil, a chegada é estimada entre 2027 e 2028. Importante: a retatrutida não tem registro na Anvisa e não está disponível para prescrição fora de estudos clínicos. Produtos vendidos com esse nome no mercado atual são falsificações.
Como comparar as três em resumo
A semaglutida é a de maior histórico clínico, com anos de dados de segurança acumulados. A tirzepatida oferece maior eficácia com mecanismo mais completo e melhor preservação de massa muscular — hoje é a opção com melhor relação entre evidência e resultado disponível no mercado. A retatrutida promete resultados sem precedentes, mas ainda aguarda aprovação regulatória.
O que não muda entre as três: nenhuma funciona sem acompanhamento médico. A dose precisa ser ajustada individualmente, os exames precisam ser monitorados e o protocolo nutricional precisa ser estruturado para preservar massa muscular e garantir que o peso perdido não volte.
Se você quer entender qual dessas opções faz sentido para o seu caso — ou já usa uma delas e quer otimizar o protocolo — agende uma consulta. Avaliamos o seu perfil metabólico e definimos juntos o melhor caminho.
Sobre o autor:

Dr. Rodrigo Avelini é médico, graduado pela Universidade Federal da Bahia e com especialização em Nutrologia pela Universidade de São Paulo (USP). Possui também pós graduação em Nutrição Esportiva e Obesidade (USP). Entre em contato ou agende uma consulta pelo site.